Em Nampula, sempre foi predominante a actividade comercial e de serviços, sendo as iniciativas industriais mais raras. Uma franja apreciável de comerciantes indo-paquistaneses – muitos deles já naturalizados – coexistia, em concorrência “pacífica”, com comerciantes de origem portuguesa. As cantinas tradicionais e outras lojas e armazéns mais convencionais, de comércio geral, coexistiam agora com estabelecimentos modernos e especializados: de moda, de que a Casa Dias era um dos exemplos mais acabado – com a casa mãe, a «Feira» e a sapataria –, de restauração (A pastelaria do Hotel Portugal, autêntico lugar de "glamour socialite" da “capital macua”, os restaurantes Escondidinho, Aquário, Floresta, Brasília, a Marisqueira, o exclusivista restaurante-bar Bagdad), de mercearia («Pegue-e-pague» e o supermercado Montegiro), bancários (o B.N.U., o Standard Totta, ostentando painel da autoria de Pancho Miranda Guedes e o Montepio), a casa de Fotografia Koy, as Livrarias Sonil e Villares, a Gelataria Dantas, entre tantos outros.


Além desses exemplos de arquitectura comercial, outros exemplares de equipamentos públicos civis exibiam uma arquitectura de qualidade invejável, como o Museu de Nampula (inaugurado durante a visita do Presidente Craveiro Lopes em 1956, e que durante algum tempo publicou um Boletim de inestimável valor no âmbito dos estudos etno-antropológicos), o Cinema Almeida Garrett, o Hospital Egas Moniz (na altura da sua inauguração considerado como um dos três melhor equipados de toda a África), o Clube Niassa (actual sede da Câmara Municipal de Nampula), os Colégios de Nossa Senhora das Vitórias e Vasco da Gama, a Escola Industrial e Comercial (e Ciclo Preparatório) Neutel de Abreu e o Liceu Gago Coutinho. O edifício do Clube Niassa, aquando da sua reconstrução, após incêndio.
O Cine Teatro Almeida Garrett
O Liceu Almirante Gago Coutinho
O Colégio Vasco da Gama
Para além disso, constatava-se uma assinalável qualidade arquitectónica em significativo número de projectos de edifícios residenciais, como os conjuntos de moradias que bordeja(va)m o Parque Felgueiras e Sousa, da Rua das Flores e do Bairro do Benfica, que coexistiam harmoniosamente com a traça arquitectónica colonial dos edifícios de data mais antiga. Pode dizer-se que um estilo «tropical» sucedia ao estilo «colonial». Vista parcial da cidade
A catedral, elemento arquitectónico que pontifica em local visível de praticamente toda a cidade, tem assinatura do arquitecto Raul Lino. Deve registar-se que o conjunto de edifícios religiosos cristãos, designadamente igrejas, de Moçambique não são exemplares de arquitectura muito atractiva, com excepção da catedral de Maputo e da igreja de St.º António da Polana, sob projecto do arquitecto Nuno Craveiro Lopes, que devido a divergências sobre a localização do altar, praticamente renegou a sua autoria. No entanto, a catedral de Nampula é um exemplo de alguma elegância construtiva, apesar de datada. Postal da catedral (vista do edifício do Tribunal)
A urbe civil era complementada pelos aquartelamentos militares, com enorme área de implantação, racionalmente acantonados na zona das «Companhias», lugar assim chamado por evocar o sítio da instalação das companhias militares que procederam à pacificação do território na época de Neutel de Abreu e do régulo Mukapera. Aspecto da cidade
Esta conjugação de circunstâncias potenciou um quadro de grande qualidade arquitectónica geral da cidade, tanto a nível de projecto urbanístico e traçado de arruamentos e disposição de equipamentos, como do edificado, o que emprestava uma inegável qualidade de vida aos seus habitantes mais favorecidos, o que – há-de notar-se – não era extensivo aos habitantes dos bairros periféricos, em rápida expansão, onde as infra-estruturas de redes de esgotos, de abastecimento de água, telefone e electricidade não chegavam.
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