Amália no Clube Ferroviário de Nampula, com senhoras da cidade, aquando da sua última deslocação. Em fundo, na sombra do restaurante, o cozinheiro observa.
És miragem no cheiro ofuscante do cravinho das naus e da carne padecente dos escravos como gado
mesmo assim, és porto amigo por longos anos, transportando o sangue de persas, industânicos e malaios reconfigurando-te a negritude vaga de um passado altivo
tu, para sempre navio fundeado sobre a âncora da fortaleza que abrigou milagres cristãos ouvindo preces brâmanes sob a convocação dos muhedin´s
entrosados em uníssono ritual de homens que se encontraram depois de naufragar em índicas errâncias
Corpo de desejo, em silêncio fremente, corpo de ser que busca infinitos de ser, outros espaços. Leis por fazer e logo desfazer, universo que és, corpo de destino, interior silêncio da beleza, pedras de todas as emoções e infernos, murmúrios de amores poeiras que rasgam a linguagem do caos e da morte.
Ó corpos dados com melodia As melodias do meu ardor! Ó pretas lindas! Ponta da Ilha! Vestem soberbos panos de cor. Deles se despem com grã doçura, Vénus despida no próprio mar. É com doçura que negras, lindas, Desaparecem no meu calor.
Ó festa de luz de mar tranquilo De casas brancas de um branco rosa
Dum tempo antigo que aqui ficou
Ó ilha pura incandescente Que me geraste três vezes mãe Três vezes por mim sagrada Por teres deuses tão variados Por seres livre da liberdade Que os gregos deuses orientais Marcam a fogo um fogo alegre Naqueles seres naquelas ilhas Que eles nomeiam seus próprios filhos Por motivos sobrenaturais