Vê lá, atina
Vê-la ladina
Vê-la latina
Vela tina
Vela latina
segunda-feira, 30 de julho de 2007
domingo, 29 de julho de 2007
As coisas importantes
As coisas importantes só olhas uma vez
mas sua imagem se repete muitas vezes dentro de ti
como um eco.
As coisas importantes que estão dentro de ti
e se repetem constantemente
já não estão presas ao que olhaste atento
mas no silêncio que tens dentro
se libertaram e tornaram incertas.
As coisas importantes no teu dentro
só já a ti pertencem
e nada do que está fora de ti as lembra agora.
As coisas importantes metes numa caixa
que com paciência vais abrindo aos poucos
para esqueceres as muralhas de outro tempo.
Jall Sinth Hussein
mas sua imagem se repete muitas vezes dentro de ti
como um eco.
As coisas importantes que estão dentro de ti
e se repetem constantemente
já não estão presas ao que olhaste atento
mas no silêncio que tens dentro
se libertaram e tornaram incertas.
As coisas importantes no teu dentro
só já a ti pertencem
e nada do que está fora de ti as lembra agora.
As coisas importantes metes numa caixa
que com paciência vais abrindo aos poucos
para esqueceres as muralhas de outro tempo.
Jall Sinth Hussein
Ilha de Moçambique
-I+838.jpg)
ILHA DE MOÇAMBIQUE 1972
As ruas desertas cheias de vento
como um deus as paredes enormes do forte assistindo a tudo
a areia longa e lisa e a timidez do mar
a língua perdida como ruínas
na mão o cavalo-marinho e os sonhos
o tempo sem chegada e sem partida
assim haveria de ser mais tarde a minha vida
Jall Sinth Hussein
como um deus as paredes enormes do forte assistindo a tudo
a areia longa e lisa e a timidez do mar
a língua perdida como ruínas
na mão o cavalo-marinho e os sonhos
o tempo sem chegada e sem partida
assim haveria de ser mais tarde a minha vida
Jall Sinth Hussein
sexta-feira, 27 de julho de 2007
quinta-feira, 26 de julho de 2007
O Porto na encruzilhada
M. J. Marmelo tem nisto alguma, quase toda (a), razão. O Porto, hoje, só é belo ao longe. Quando se observa de perto, é desleixado, abandonado, sujo, pouco brioso, é a imagem urbana e humana do desânimo. Basta comparar com a vizinha V. N. de Gaia, para perceber a grande diferença das dinâmicas urbanísticas e mesmo sócio-culturais.
Só não concordo com a exclusiva atribuição de culpas deste estado de coisas a Rui Rio. Este penoso e - a todos os títulos - lamentável cenário foi-se adensando ao longo dos anteriores mandatos de Fernando Gomes (lembram-se dele?) e Nuno Cardoso.
Penso que os piores maus tratos urbanísticos e os envolvimentos negociais que redundaram em prejuízo para a cidade e para os seus cidadãos foram cometidos antes do mandato de Rio. O que sucede é que, com ele, não se criaram - e talvez não se consigam criar - as dinâmicas e o élan que a cidade precisa. O que é pena.
Só não concordo com a exclusiva atribuição de culpas deste estado de coisas a Rui Rio. Este penoso e - a todos os títulos - lamentável cenário foi-se adensando ao longo dos anteriores mandatos de Fernando Gomes (lembram-se dele?) e Nuno Cardoso.
Penso que os piores maus tratos urbanísticos e os envolvimentos negociais que redundaram em prejuízo para a cidade e para os seus cidadãos foram cometidos antes do mandato de Rio. O que sucede é que, com ele, não se criaram - e talvez não se consigam criar - as dinâmicas e o élan que a cidade precisa. O que é pena.
terça-feira, 24 de julho de 2007
Se fosses...
Se fosses pássaro baterias as asas para destruir a armadilha
Se fosses insecto deixarias círculos apenas ao redor da luz
Se fosses abelha farias zumbir a revolta
Mas és voo pela sombra
Se fosses formiga carregarias a ordem, armazenarias a fadiga
Se fosses flor polinizarias a terra
Serias coroa incorruptível
Se fosses flor através das estações
Daniel Faria, Das Mãos como Livros (poemas).
Se fosses insecto deixarias círculos apenas ao redor da luz
Se fosses abelha farias zumbir a revolta
Mas és voo pela sombra
Se fosses formiga carregarias a ordem, armazenarias a fadiga
Se fosses flor polinizarias a terra
Serias coroa incorruptível
Se fosses flor através das estações
Daniel Faria, Das Mãos como Livros (poemas).
sábado, 21 de julho de 2007
Natalidade e licenciosidade
O que se passou em Espanha, a propósito de um cartoon que determinou a apreensão (pelo juiz Juan del Olmo, a pedido da Físcalia espanhola) do jornal «Jueves» - no qual os príncipes das Astúrias copulavam para aproveitar os subsídios da política natalista de Zapatero (replicada agora entre nós?) - relança o problema da liberdade de expressão e da licenciosidade.
Os termos da discussão da questão nos nuestros hermanos podem ser acedidos aqui.
Mas, realmente, bate tudo certo. Licenciosidade rima, afinal, com natalidade, não é prof. Freitas?.
Os termos da discussão da questão nos nuestros hermanos podem ser acedidos aqui.
Mas, realmente, bate tudo certo. Licenciosidade rima, afinal, com natalidade, não é prof. Freitas?.
Acabar com o sensível
Queres acabar com o sensível?
Não preferes encetar
uma linguagem de novos signos?
Abandona essas fórmulas
gastas:
enfiteuta, fideicomisso, mútuo, colonia,
dolo, moratória, relapso,
legítima, rédito,
prescrição
tudo são convenções,
combinações entre os homens.
Porque não
inventar outras?
Não preferes encetar
uma linguagem de novos signos?
Abandona essas fórmulas
gastas:
enfiteuta, fideicomisso, mútuo, colonia,
dolo, moratória, relapso,
legítima, rédito,
prescrição
tudo são convenções,
combinações entre os homens.
Porque não
inventar outras?
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Início de actividade
«Petromax» é um instrumento que ilumina a noite ou a escuridão. É uma espécie de lampião com uma pega, alimentado geralmente a petróleo ou álcool desnaturado, que era preferido por não deixar evolar um cheiro tão intenso.
Na África da minha infância costumava substituir, de ordinário, a «luz eléctrica», a partir de uma certa hora da noite ou quando falhava a electricidade.
Era uma luz tímida, toda doméstica e benigna. Mas lia-se, à sua luz. E contavam-se histórias, de aventuras, algumas, outras de terror (hoje seria de «suspense»).
A sombra que criava era também maior, e essa era um pouco assustadora. Mas não importava muito, porque, pouco depois, íamos dormir.
Não tenho a presunção de «iluminar» seja o que for. Como o «petromax», contentar-me-ei a fazer a luz suficiente para tentar impedir as trevas e os tropeções.
Gostava de começar este blog parafraseando uma antiga máxima, segundo a qual a felicidade - que é, ou deve ser o fim último do Homem (e não a excelência ou a perfeição) - é «um instrumento tão complexo que falta sempre uma peça».
A isso - e pouco mais - se resume a «declaração de interesses» ou de «início de actividade».
Por aqui poderá passar o debate sobre a actualidade, sobre ideias e cultura (especialmente sobre livros em português), viagens, iniciativas públicas, artísticas, científicas e outros temas que certamente vão surgir.
Na África da minha infância costumava substituir, de ordinário, a «luz eléctrica», a partir de uma certa hora da noite ou quando falhava a electricidade.
Era uma luz tímida, toda doméstica e benigna. Mas lia-se, à sua luz. E contavam-se histórias, de aventuras, algumas, outras de terror (hoje seria de «suspense»).
A sombra que criava era também maior, e essa era um pouco assustadora. Mas não importava muito, porque, pouco depois, íamos dormir.
Não tenho a presunção de «iluminar» seja o que for. Como o «petromax», contentar-me-ei a fazer a luz suficiente para tentar impedir as trevas e os tropeções.
Gostava de começar este blog parafraseando uma antiga máxima, segundo a qual a felicidade - que é, ou deve ser o fim último do Homem (e não a excelência ou a perfeição) - é «um instrumento tão complexo que falta sempre uma peça».
A isso - e pouco mais - se resume a «declaração de interesses» ou de «início de actividade».
Por aqui poderá passar o debate sobre a actualidade, sobre ideias e cultura (especialmente sobre livros em português), viagens, iniciativas públicas, artísticas, científicas e outros temas que certamente vão surgir.
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