sexta-feira, 16 de abril de 2010

Série Askari (4)


Desfile de "askaris" do Império alemão.
Convém sublinhar que o termo «askari» vem do swahili, e significa «soldado», «homem guerreiro», mas também «homem que anda em volta (e conhece os caminhos)».
Os askaris revelaram-se de importância decisiva nas movimentações e confrontos que tiveram lugar entre as potências europeias que se degladiaram no período da 1.ª Guerra Mundial, na Costa oriental africana.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Série Askari (3)



Askaris do Império alemão perfilados.

domingo, 4 de abril de 2010

Série Askari (2)



Askari do Império alemão (Costa oriental Africana - Oostafrika), empunhando a bandeira do Reich.
Na África Oriental é lendária a gesta do contingente de P. Emil Von Lettow-Vorbeck, único segmento do exército alemão que ocupou, com êxito, território inimigo (do Império inglês) e que não foi batido militarmente, na 1.ª Guerra Mundial (1914-18).

sábado, 3 de abril de 2010

Série Askari (1)


A propósito do livro «O Olho de Hertzog», de João Paulo Borges Coelho, cuja leitura inadiável recomendo a todos os amantes de Moçambique (e a todos os outros), começo a divulgar uma série de reproduções de gravuras e fotos (extraídas de diversos sítios da web), que terão como objecto de interesse central a figura do «askari» (soldado africano ao serviço das potências coloniais).

quinta-feira, 25 de março de 2010

Leandro

O Leandro,
que nada sabia de «bullying»

entrou pela água
do rio da sua terra
e fundiu-se nos ramos e nas rochas
desse rio

porque talvez
sofresse atrozmente
como nunca nenhum escriba
sensacionalista alguma vez sofreu

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Amália em Nampula



Amália no Clube Ferroviário de Nampula, com senhoras da cidade, aquando da sua última deslocação.
Em fundo, na sombra do restaurante, o cozinheiro observa.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Etnicidades

«(...) bem vistas as contas, todos nós somos mulatos. Só que, em alguns, isso é mais visível por fora».

[Mia Couto, A Varanda do Frangipani]

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Um céu tão próximo




Sob a censura
e os limites celulares
de um céu tão próximo
de Oriente e de Ocidente

vacilaremos no infortúnio
devassando a solidão
das multidões errantes
e suportando o castigo
por não plantarmos as árvores

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Sentinela


Sentinela
escarnecido
do Império
A ti
e aos teus iguais
te saudávamos
admirando-te
o porte altivo
em contraste
com as alpercatas
de improviso
Ficou-nos
o teu riso
tolerante
com os meninos
que te fitavam
Ó fiel sentinela
dum Império
improvavelmente
fragmentado.
A ti te saudamos
como irmãos separados
de mãos dadas

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Ilha de Moçambique

És miragem
no cheiro ofuscante
do cravinho das naus
e da carne padecente
dos escravos
como gado

mesmo assim, és porto amigo
por longos anos,
transportando o sangue
de persas, industânicos e malaios
reconfigurando-te
a negritude vaga
de um passado altivo

tu, para sempre navio
fundeado
sobre a âncora da fortaleza
que abrigou
milagres cristãos
ouvindo preces brâmanes
sob a convocação dos muhedin´s

entrosados em uníssono
ritual de homens
que se encontraram
depois de naufragar
em índicas errâncias

Muipiti

Corpo de desejo, em silêncio
fremente, corpo
de ser que busca infinitos
de ser,
outros espaços.
Leis por fazer e logo
desfazer,
universo que és,
corpo de destino, interior
silêncio da beleza,
pedras de todas as emoções
e infernos,
murmúrios de amores
poeiras
que rasgam a linguagem
do caos e
da morte.

Virgílio de Lemos

Moçambique

Ó Oriente surgido do mar
Ó minha Ilha de Moçambique
Perfume solto no oceano
Como se fosse em pleno ar.


Alberto de Lacerda

A MINHA ILHA

Ilha onde os cães não ladram e onde as crianças brincam
No meio da rua como peregrinos
Dum mundo mais aberto e cristalino

Alberto de Lacerda

Ponta da Ilha

Ó corpos dados com melodia
As melodias do meu ardor!
Ó pretas lindas! Ponta da Ilha!
Vestem soberbos panos de cor.
Deles se despem com grã doçura,
Vénus despida no próprio mar.
É com doçura que negras, lindas,
Desaparecem no meu calor.

Alberto de Lacerda

L' Isle Joyeuse

Ó festa de luz de mar tranquilo
De casas brancas de um branco rosa

Dum tempo antigo que aqui ficou

Ó ilha pura incandescente
Que me geraste três vezes mãe
Três vezes por mim sagrada
Por teres deuses tão variados
Por seres livre da liberdade
Que os gregos deuses orientais
Marcam a fogo um fogo alegre
Naqueles seres naquelas ilhas
Que eles nomeiam seus próprios filhos
Por motivos sobrenaturais

Alberto de Lacerda

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

«Casta Diva» - Maria Callas

Cada vez me rendo mais à completude destas históricas actuações.
Nada mais é preciso para a perfeição.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Racialidade

«Os portugueses foram muito amadores nessa questão da discriminação racial. Você vê na África, nos países de colonização inglesa tem uma ideia de divisão de raça muito mais nítida»

«A África portuguesa tinha questões raciais, conflitos, que os brasileiros desconheciam. O que estou dizendo é que os portugueses fazem isso de uma maneira amadorística, confusa. Não são bons nisso, mas não têm uma ilusão de serem racialmente alguma coisa, porque houve muito tempo de mouros aqui».

Caetano Veloso, "Y", de 11-12-2009

sábado, 12 de dezembro de 2009

Ilha de Moçambique

Visão
colada à bruma
no infinito ponho
do rosto do eterno
a transparência

Persa negro e branco
cabaias e cofiós
de seda e linho,
em pontilhado, aurora
minha utopia que sangra.

Nos mármores róseos
da fortalez
atua consciência, livre
recria o nada.
(1952)


m’siros na menstruação
dos ventos
no desafiar das pedras
e corais,
nos desventrados barcos
és nova equação
índica, swahili,
das bocas de fome
e afiados punhais
de prata.


[Vírgilio de Lemos, Ilha de Moçambique, A língua é o exílio do que somos]

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Pedra

Renque de urtigas negras, ó basalto!
Marítimo país,
mais pobre pedra que pedúnculo ou raiz,
marítimo e descalço.

Já os ombros levantam sobre o asfalto
das nuvens as cidades por abrir.
Tu morres lentamente de perfil
alto.

Último azul, ó pedra tumular,
que importa que te chames Portugal.


[Orlando de Carvalho, Sobre a Noite e a Vida]

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Negotia gerimus bene

Para começar: o seu ar triunfal muitas vezes escondia uma paradoxal melancolia. Estava ali com os outros, por vezes horas, em convívio cavalar, as boas maneiras eram suspensas. Os discursos glosavam, já se vê, viagens, gajas, vinhos e carros. Tinham-se deixado dessa veleidade que é a leitura. Já bastava o terem «queimado tanto as pestanas» na Universidade, uma longínqua e indispensável etapa para se catapultarem para o estatuto que hoje ocupam: ceo, administrador-delegado, gestor de topo, senhas de presença, prémios de reconhecimento, carro, cartão e telemóvel. Secretária e três viagens por ano. Férias pagas no estrangeiro.
Sim, as medidas aprovadas, foram tomadas com alguma mágoa; mas eram inevitáveis, pelo menos no sentido em que acalmavam os accionistas, que achavam que, assim, era possível reestruturar a empresa e abrir novas oportunidades de negócio. Mal eles sabiam que, afinal, a contabilidade fora martelada.
E, daí a dias, entraria entrada em Juízo um requerimento de insolvência.