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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Arriscar a vida

 
 
















Conta-se que Ricardo Chibanga, o mítico toureiro luso-moçambicano, noite alta, depois de uma tourada, foi perseguido por assaltantes, que lhe barraram o caminho e o intimaram a dar-lhes o apuro da bilheteira que revertera para ele.
Chibanga ia com a família no carro, e teve o "sangue-frio" de sair e dizer aos seus perseguidores: «Os senhores desculpem, mas eu também arrisco a vida, para sustentar a minha família. Se não se importam, deixem-me continuar em paz o meu caminho».

Os salteadores entreolharam-se, e decidiram deixá-lo continuar viagem, sem nada lhe extorquir.
A diferença para os nossos dias é que os nossos dirigentes já não arriscam a vida deles...mas, mesmo assim, não deixam ninguém sossegado.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Racialidade

«Os portugueses foram muito amadores nessa questão da discriminação racial. Você vê na África, nos países de colonização inglesa tem uma ideia de divisão de raça muito mais nítida»

«A África portuguesa tinha questões raciais, conflitos, que os brasileiros desconheciam. O que estou dizendo é que os portugueses fazem isso de uma maneira amadorística, confusa. Não são bons nisso, mas não têm uma ilusão de serem racialmente alguma coisa, porque houve muito tempo de mouros aqui».

Caetano Veloso, "Y", de 11-12-2009

sexta-feira, 6 de março de 2009

Manuel Hermínio Monteiro, urbano-pessimista antes do tempo

«Em Viana do Castelo o edifício Jardim é um escândalo no resto da cidade. Eis um caso de polícia. Vila Real é uma cidade amuralhada por torres (edifícios Miracorgo), interrompendo definitivamente o diálogo com a paisagem envolvente. Em Viseu uma torre veio estragar o velho casario encimado pela Sé e vê-se, paradoxalmente, promovida pelos folhetos turísticos locais. Lamego: entre o castelo e o conjunto da Senhora dos Remédios, um mar de cimento armado até aos dentes. Braga é o maior escândalo. uma das mais belas e a mais monumental das nossas cidades foi espatifada por irresponsáveis. Faro, e sobretudo, Portimão, é o que se sabe. Olhão: uma torre, pior que a de Viana, sobre as casas baixas da nossa cidade das açoteias. Setúbal, destruições imparáveis no Largo da feira. Por detrás da alta estátua de Bocage um brutal edifício (de quantos pisos?) cresceu, obstruindo-a. Aveiro sem mãos a medir até à Costa Nova. Bragança e Guarda, destruição definitiva de velhos mercados. para quê? Coimbra. o que se vê ao fundo da Ferreira Borges. E a Figueira da Foz a caminho de Buarcos? E a Póvoa de Varzim? Que se pretende fazer de Portugal?»

[Manuel Hermínio Monteiro, K, n.º 8, Maio de 1991]

Portugal era assim em 1991.
Em 2009, nem piedosos programas «Pólis», nem recuperações de zonas ribeirinhas, nem reabilitação de centros históricos, nem fundações para o desenvolvimento inverteram o panorama. Pelo contrário, parece que tudo se degradou de forma acelerada.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

O «fiel amigo» pelo Mundo fora

Notem bem este interesse pelas 365 (só?) maneiras de comer bacalhau...