domingo, 26 de julho de 2009
sábado, 25 de julho de 2009
quarta-feira, 25 de março de 2009
O misterioso nascimento das palavras
No sempre misterioso nascimento das palavras
em que o dito
é significado de ancestrais
aprendizagens
irrompendo submissas
ou insolentes
sobre preconceitos
e inábeis preserveranças
iluminando de sentido
a rectidão da humanidade
em que o dito
é significado de ancestrais
aprendizagens
irrompendo submissas
ou insolentes
sobre preconceitos
e inábeis preserveranças
iluminando de sentido
a rectidão da humanidade
sexta-feira, 20 de março de 2009
O «Negro» e o Mal
«(...) o Negro é a expressão embrionária do sentimento, e na sua rude incompreensão do dever e da dignidade faz parênteses em quase todos os princípios da nobilitação humana.
Com isto não queremos afiançar que ele pende por índole para o mal; somente supomos que exercita este por ignorância ou por desconhecer a sublimidade da prática do bem».
[H. Capelo e Roberto Ivens, De Angola à Contracosta].
Com isto não queremos afiançar que ele pende por índole para o mal; somente supomos que exercita este por ignorância ou por desconhecer a sublimidade da prática do bem».
[H. Capelo e Roberto Ivens, De Angola à Contracosta].
sexta-feira, 6 de março de 2009
Manuel Hermínio Monteiro, urbano-pessimista antes do tempo
«Em Viana do Castelo o edifício Jardim é um escândalo no resto da cidade. Eis um caso de polícia. Vila Real é uma cidade amuralhada por torres (edifícios Miracorgo), interrompendo definitivamente o diálogo com a paisagem envolvente. Em Viseu uma torre veio estragar o velho casario encimado pela Sé e vê-se, paradoxalmente, promovida pelos folhetos turísticos locais. Lamego: entre o castelo e o conjunto da Senhora dos Remédios, um mar de cimento armado até aos dentes. Braga é o maior escândalo. uma das mais belas e a mais monumental das nossas cidades foi espatifada por irresponsáveis. Faro, e sobretudo, Portimão, é o que se sabe. Olhão: uma torre, pior que a de Viana, sobre as casas baixas da nossa cidade das açoteias. Setúbal, destruições imparáveis no Largo da feira. Por detrás da alta estátua de Bocage um brutal edifício (de quantos pisos?) cresceu, obstruindo-a. Aveiro sem mãos a medir até à Costa Nova. Bragança e Guarda, destruição definitiva de velhos mercados. para quê? Coimbra. o que se vê ao fundo da Ferreira Borges. E a Figueira da Foz a caminho de Buarcos? E a Póvoa de Varzim? Que se pretende fazer de Portugal?»
[Manuel Hermínio Monteiro, K, n.º 8, Maio de 1991]
Portugal era assim em 1991.
Em 2009, nem piedosos programas «Pólis», nem recuperações de zonas ribeirinhas, nem reabilitação de centros históricos, nem fundações para o desenvolvimento inverteram o panorama. Pelo contrário, parece que tudo se degradou de forma acelerada.
[Manuel Hermínio Monteiro, K, n.º 8, Maio de 1991]
Portugal era assim em 1991.
Em 2009, nem piedosos programas «Pólis», nem recuperações de zonas ribeirinhas, nem reabilitação de centros históricos, nem fundações para o desenvolvimento inverteram o panorama. Pelo contrário, parece que tudo se degradou de forma acelerada.
bmw, marca aziaga
O primeiro mau contacto com um veículo bmw, foi uma ultrapassagem perigosíssima pela esquerda, numa via rápida, em que só um "6.º sentido" acabou por me salvar a vida e a dos meus acompanhantes.
A seguir veio outra situação, que me pôs definitivamente avesso a essa marca de carros; foi quando um indivíduo que conduzia um veículo dessa marca embateu no meu velhinho opel astra e danificou o lado esquerdo traseiro. Sem ponta de razão, ainda teve a prosápia de dizer que «como o dele não tinha tido nada, eu nem podia provar que ele me tinha batido».
Por último, há bem poucos dias, um desses «charutos metálicos» passou a noite inteira a disparar o alarme avariado, à frente de minha casa. Ninguém acudiu. O dono nem estaria por perto, caso contrário teria aparecido, por ter acordado. Passei a noite sem pregar olho. telefonei para a PSP, mas disseram-me que «não podiam fazer nada; iam ver se identificavam o dono e dizer-lhe [certamente com grande reverência, tratava-se de um «bm»!] para resolver a situação». Rebocá-lo àquela hora, nem pensar, porque o reboque não operava à noite, nem tinham para onde levar o «canhangulo, para mais a apitar».
Depois, associo a marca aos "empresários" arrivistas e burgessos - sobretudo quando entram em dificuldades -, às suas mulheres analfabetas e pretensiosas, aos rapazelhos que os compram em 2.ª mão, para impressionar as miúdas dos shoppings, aos seguranças banhudos da noite. Não suporto essa fauna que costuma habitar e tripular os bmw´s, o que hei-de fazer?
É verdade. Não não acho o bmw particularmente conseguido, no que diz respeito à estética. Os modelos envelhecem e ficam definitivamente ultrapassados, sem o "glamour" de outros carros antigos. Dizem-me que, mecanicamente, «é do melhor». Não duvido. Mas confesso ter uma antipatia visceral por essa marca de carros.
Preferia que fosse uma das marcas a abrir falência.
A seguir veio outra situação, que me pôs definitivamente avesso a essa marca de carros; foi quando um indivíduo que conduzia um veículo dessa marca embateu no meu velhinho opel astra e danificou o lado esquerdo traseiro. Sem ponta de razão, ainda teve a prosápia de dizer que «como o dele não tinha tido nada, eu nem podia provar que ele me tinha batido».
Por último, há bem poucos dias, um desses «charutos metálicos» passou a noite inteira a disparar o alarme avariado, à frente de minha casa. Ninguém acudiu. O dono nem estaria por perto, caso contrário teria aparecido, por ter acordado. Passei a noite sem pregar olho. telefonei para a PSP, mas disseram-me que «não podiam fazer nada; iam ver se identificavam o dono e dizer-lhe [certamente com grande reverência, tratava-se de um «bm»!] para resolver a situação». Rebocá-lo àquela hora, nem pensar, porque o reboque não operava à noite, nem tinham para onde levar o «canhangulo, para mais a apitar».
Depois, associo a marca aos "empresários" arrivistas e burgessos - sobretudo quando entram em dificuldades -, às suas mulheres analfabetas e pretensiosas, aos rapazelhos que os compram em 2.ª mão, para impressionar as miúdas dos shoppings, aos seguranças banhudos da noite. Não suporto essa fauna que costuma habitar e tripular os bmw´s, o que hei-de fazer?
É verdade. Não não acho o bmw particularmente conseguido, no que diz respeito à estética. Os modelos envelhecem e ficam definitivamente ultrapassados, sem o "glamour" de outros carros antigos. Dizem-me que, mecanicamente, «é do melhor». Não duvido. Mas confesso ter uma antipatia visceral por essa marca de carros.
Preferia que fosse uma das marcas a abrir falência.
quinta-feira, 5 de março de 2009
As casas da Ilha
As casas da Ilha
velhas casas
desabitadas
mas sobrelotadas
de metais remanchados
nesgas, fendas na pedra e cal
a ruína ao sol
e ao vento monçónico
enquanto o macúti resplandece
na pele lisa das raparigas
que deambulam
nas ruas planas da Ilha
que abrem todas para o mar
são casas velhas
com tanta gente
com tanta história
e o mar por dentro
da transparência
a falta de medo do mar
no crepúsculo
da Ilha, ao som macio das ondas
e do balanço suave das casuarinas
domingo, 1 de março de 2009
Darwin - 200 anos
«A esperança, a fé, a caridade, vivem do Matadouro Municipal onde bois e vitelos, santos e anjos são assassinados às centenas e repartidos em bifes pela macacaria darwinista».
[Teixeira de Pascoaes]
[Teixeira de Pascoaes]
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
A Ilha de Moçambique, de Ângelo de Sousa
«Vivi na Ilha de Moçambique até aos sete anos [...] Estava tão bem ali. A ilha era pequenina. Havia um automóvel do piloto Nunes, um Fiat pequenino. Tinha uma actividade desportiva razoável. Fazia-se teatro amador . Cinco mil pessoas contando com a população indígena. A escola primária tinha cem crianças.»
«A luz eléctrica, ligavam-na às seis da tarde e desligavam às onze da noite - tinham um gerador. As geleiras eram a petróleo. Não havia aspiradores. Não havia carne porque não havia gado; comia-se galinhas e coisas do mar. Costumo dizer com graça que fui criado a lagosta. Lagosta era ao preço do pão. E fruta: bananas, papaia, toda a gente tinha papaeiras em casa. Leite era condensado».
[Ângelo de Sousa, Pública, de 25.01.09]
«A luz eléctrica, ligavam-na às seis da tarde e desligavam às onze da noite - tinham um gerador. As geleiras eram a petróleo. Não havia aspiradores. Não havia carne porque não havia gado; comia-se galinhas e coisas do mar. Costumo dizer com graça que fui criado a lagosta. Lagosta era ao preço do pão. E fruta: bananas, papaia, toda a gente tinha papaeiras em casa. Leite era condensado».
[Ângelo de Sousa, Pública, de 25.01.09]
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Alba
A Sebastião Alba (Dinis Albano Carneiro Gonçalves)
Poeta sem abrigo?
Qual quê! Só quem o não conhece
Poeta de todos os territórios
poeta da rua, sim
poeta vindo do nada
poeta da vida e da interpelação
poeta vivente, total
a coberto da telha vã
do alpendre da capela de St.º Adrião
(que estranha centralidade telúrica)
O Alba morrerá postumamente
como soem morrer
os que não morrem
de atropelamento e fuga
Meu caro,
gostava de ter escrito um bilhetinho informativo
como o teu
sobre o espólio de um morto resistente
Poeta sem abrigo?
Qual quê! Só quem o não conhece
Poeta de todos os territórios
poeta da rua, sim
poeta vindo do nada
poeta da vida e da interpelação
poeta vivente, total
a coberto da telha vã
do alpendre da capela de St.º Adrião
(que estranha centralidade telúrica)
O Alba morrerá postumamente
como soem morrer
os que não morrem
de atropelamento e fuga
Meu caro,
gostava de ter escrito um bilhetinho informativo
como o teu
sobre o espólio de um morto resistente
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Hai ku
Utilização do w.c. contra o pagamento de € 0,50.
Contra o pagamento da utilização do w.c. por € 0,50.
Contra o pagamento da utilização do w.c. por € 0,50.
sábado, 24 de janeiro de 2009
domingo, 18 de janeiro de 2009
Como os bichos
Às vezes, vinha alguém bater à porta. Como a rádio deixara de emitir, só podia confiar no que diziam esses viandantes, à deriva, caminhando não sei para onde. Pouco a pouco, foram rareando essas visitas. Calara-se toda e qualquer voz, todo e qualquer vestígio humano. Só o miar paradoxalmente cioso dos gatos, me dava a certeza de que continuava a haver mais vida animal. Um dia, arrisquei sair, e tive a confirmação de que desenvolvera essa rara doença, que me fez resistir à catástrofe, como os bichos
Dia após dia
Às vezes, vinha alguém abrir a porta. Com o passar do tempo deixou de aparecer
aquela senhora gentil, que nos mandava entrar e pormo-nos à vontade, como em «nossa casa» (confirmaram-nos, depois, a suposição de que tinha morrido). Dia após dia, a porta continuava fechada, as paredes deixando cair o salitre. Cada vez mais, temíamos o que pudesse ter acontecido. A inspecção sanitária levara os últimos despojos, as últimas résteas dessa memória da casa. Francamente, nunca soubemos porque é mais ninguém ligou nenhuma à situação.
aquela senhora gentil, que nos mandava entrar e pormo-nos à vontade, como em «nossa casa» (confirmaram-nos, depois, a suposição de que tinha morrido). Dia após dia, a porta continuava fechada, as paredes deixando cair o salitre. Cada vez mais, temíamos o que pudesse ter acontecido. A inspecção sanitária levara os últimos despojos, as últimas résteas dessa memória da casa. Francamente, nunca soubemos porque é mais ninguém ligou nenhuma à situação.
sábado, 17 de janeiro de 2009
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Concerti Grossi
Ouvir, por exemplo,
os Concerti Grossi, de Haendel
na época da sua estreia
e calcorrear as ruas escalavradas
do século XVIII
a lama das ruas do século XVIII
a neve nas ruas do século XVIII
os pregões, as conversas das ruas do século XVIII
e os trilhos das carroças do século XVIII
e a lembrança de uma música redentora
dentro de nós
intemporal
soberna
glorificando Deus
acima dos homens
os Concerti Grossi, de Haendel
na época da sua estreia
e calcorrear as ruas escalavradas
do século XVIII
a lama das ruas do século XVIII
a neve nas ruas do século XVIII
os pregões, as conversas das ruas do século XVIII
e os trilhos das carroças do século XVIII
e a lembrança de uma música redentora
dentro de nós
intemporal
soberna
glorificando Deus
acima dos homens
irmanados
e desprevenidos
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