sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Amália em Moçambique

Via ma-schamba, documentos históricos sobre uma histórica tournée de Amália em África, concretamente em Moçambique.
Eu era pequeno e, salvo erro, Amália actuou no pavilhão dos Desportos (Clube Ferroviário). Lá estava a toute Nampula e arredores, o governador, os administradores, o comandante militar, o bispo D. Manuel, os comerciantes, os machambeiros, as figuras gradas e menos gradas.
Amália tinha lá estado 20 anos antes e não reconheceu Nampula, tal tinha sido a transformação da cidade. A sua presença foi um momento de "(re)afirmação da portugalidade". Claro está que foi só para consumo interno.
Amália era uma personalidade invulgar. Prova-no a sabedoria de reconhecer o valor de Malangatana, num contexto histórico-cultural muito diferente.
Mas essa viagem deixou marcas naqueles que assistiram devotadamente às actuações da artista. E, com muita probabilidade, foi muito significativa para ela própria.

domingo, 27 de setembro de 2009

sábado, 19 de setembro de 2009

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Definitiva luz

Sob a definitiva luz
do Índico
onde fundeavam as naus
carregadas de infortúnio
e padecimentos profanos
sob essa poeira
dos caminhos de terra
vermelha
incendiando a febre
dos mortais combatentes
de guerras equívocas
fortalecendo as crenças
e as hostes do império
glorificadas em vãs edificações
de matérias plurais
e de nostalgia como argamassa

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Encruzilhada

Encontro-me em frente
de uma indecifrável encruzilhada
numa serena hesitação

se pudesse escolher um caminho
como até agora,
mais ou menos conhecido,
mais ou menos seguro...

mas, conhecendo o caminho
já não nos poderemos perder

perder-se, perdermo-nos
em todos os caminhos
qualquer que seja o motivo
e encontrar o inesperado
que nos é essencial

é essa escolha
por isso, não poderá ser nunca
sensata ou esclarecida
encontro-me na minha própria encruzilhada
uma encruzilhada muito habitual
de uma assombrosa humanidade
de uma humanidade trivial
e desconcertantemente exacta

não é indiferente
escolher caminho
mas podes sempre trocar-lhe as voltas
e regressar de cabotagem
ao porto de partida
ou partir de vez
com destino ao sonho
sempre adiado

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Hoje, uma árvore


Uma árvore
é uma prece
corporizando todas as liturgias
redimindo todas as indignidades
e há árvores
que são velhas como famílias
como nações coesas
são edifícios mais solenes
que as casas
ou as catedrais
onde se pode escutar
o trânsito das gerações
e o esvoaçar dos cânticos
ancestrais
e de sempre

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Máximas

Senhora viúva, interessante, procura cavalheiro culto e educado, mais de 45 anos, alto (mais de 1,80m), que saiba línguas estrangeiras e possua boa situação económica, para efeitos patrimoniais.

Cesária Évora - «Mar Azul»

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

quarta-feira, 25 de março de 2009

Máxima das prostitutas espanholas

«Follar en casa perjudica la prostitución, folla con nosotras».

O misterioso nascimento das palavras

No sempre misterioso nascimento das palavras
em que o dito
é significado de ancestrais
aprendizagens
irrompendo submissas
ou insolentes
sobre preconceitos
e inábeis preserveranças
iluminando de sentido
a rectidão da humanidade

sexta-feira, 20 de março de 2009

O «Negro» e o Mal

«(...) o Negro é a expressão embrionária do sentimento, e na sua rude incompreensão do dever e da dignidade faz parênteses em quase todos os princípios da nobilitação humana.
Com isto não queremos afiançar que ele pende por índole para o mal; somente supomos que exercita este por ignorância ou por desconhecer a sublimidade da prática do bem».

[H. Capelo e Roberto Ivens, De Angola à Contracosta].

sexta-feira, 6 de março de 2009

Manuel Hermínio Monteiro, urbano-pessimista antes do tempo

«Em Viana do Castelo o edifício Jardim é um escândalo no resto da cidade. Eis um caso de polícia. Vila Real é uma cidade amuralhada por torres (edifícios Miracorgo), interrompendo definitivamente o diálogo com a paisagem envolvente. Em Viseu uma torre veio estragar o velho casario encimado pela Sé e vê-se, paradoxalmente, promovida pelos folhetos turísticos locais. Lamego: entre o castelo e o conjunto da Senhora dos Remédios, um mar de cimento armado até aos dentes. Braga é o maior escândalo. uma das mais belas e a mais monumental das nossas cidades foi espatifada por irresponsáveis. Faro, e sobretudo, Portimão, é o que se sabe. Olhão: uma torre, pior que a de Viana, sobre as casas baixas da nossa cidade das açoteias. Setúbal, destruições imparáveis no Largo da feira. Por detrás da alta estátua de Bocage um brutal edifício (de quantos pisos?) cresceu, obstruindo-a. Aveiro sem mãos a medir até à Costa Nova. Bragança e Guarda, destruição definitiva de velhos mercados. para quê? Coimbra. o que se vê ao fundo da Ferreira Borges. E a Figueira da Foz a caminho de Buarcos? E a Póvoa de Varzim? Que se pretende fazer de Portugal?»

[Manuel Hermínio Monteiro, K, n.º 8, Maio de 1991]

Portugal era assim em 1991.
Em 2009, nem piedosos programas «Pólis», nem recuperações de zonas ribeirinhas, nem reabilitação de centros históricos, nem fundações para o desenvolvimento inverteram o panorama. Pelo contrário, parece que tudo se degradou de forma acelerada.

bmw, marca aziaga

O primeiro mau contacto com um veículo bmw, foi uma ultrapassagem perigosíssima pela esquerda, numa via rápida, em que só um "6.º sentido" acabou por me salvar a vida e a dos meus acompanhantes.
A seguir veio outra situação, que me pôs definitivamente avesso a essa marca de carros; foi quando um indivíduo que conduzia um veículo dessa marca embateu no meu velhinho opel astra e danificou o lado esquerdo traseiro. Sem ponta de razão, ainda teve a prosápia de dizer que «como o dele não tinha tido nada, eu nem podia provar que ele me tinha batido».
Por último, há bem poucos dias, um desses «charutos metálicos» passou a noite inteira a disparar o alarme avariado, à frente de minha casa. Ninguém acudiu. O dono nem estaria por perto, caso contrário teria aparecido, por ter acordado. Passei a noite sem pregar olho. telefonei para a PSP, mas disseram-me que «não podiam fazer nada; iam ver se identificavam o dono e dizer-lhe [certamente com grande reverência, tratava-se de um «bm»!] para resolver a situação». Rebocá-lo àquela hora, nem pensar, porque o reboque não operava à noite, nem tinham para onde levar o «canhangulo, para mais a apitar».
Depois, associo a marca aos "empresários" arrivistas e burgessos - sobretudo quando entram em dificuldades -, às suas mulheres analfabetas e pretensiosas, aos rapazelhos que os compram em 2.ª mão, para impressionar as miúdas dos shoppings, aos seguranças banhudos da noite. Não suporto essa fauna que costuma habitar e tripular os bmw´s, o que hei-de fazer?
É verdade. Não não acho o bmw particularmente conseguido, no que diz respeito à estética. Os modelos envelhecem e ficam definitivamente ultrapassados, sem o "glamour" de outros carros antigos. Dizem-me que, mecanicamente, «é do melhor». Não duvido. Mas confesso ter uma antipatia visceral por essa marca de carros.
Preferia que fosse uma das marcas a abrir falência.