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sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Moledo ao frio

Moledo
ao frio sazonal
A horizontalidade marítima e das ruas desertas
cruzadas ortogonalmente
pela verticalidade dos sinais e dos lampiões.

A escassez de bulício e de transeuntes
hibernação dos corpos
preparando-se para o esplendor solar.

Os pinheiros ordinários
de uma mata icónica.

O forte, a foz, o rio e o mar
confluência histórica e de gentes
Outro país mais ao Norte

Respiração líquida de Inverno
a quietude das areias revolvidas
noutras estações

vejo os passageiros do comboio
olhando o mar
de Moledo.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Antítese tempestuosa

Da antítese tempestuosa
e calma

deflui
o sopro de incompletude
antónimo feroz
e rapace
dum angustiado
existir

domingo, 28 de outubro de 2007

Ordálios fugazes

Desdivinizemos
esses territórios
saturados do leite e do mel
subtraídos à facilidade
do consumo

esses ordálios
ímpares e fugazes
que fermentam
o genoma
de toda a Humanidade

no dealbar das escórias
insalubres dos morros,
argamassados em lágrimas e podridão
mas de traça
imensamente perfeita

à imagem e semelhança
do redentor

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

A razão das perguntas

Por vezes, só depois
percebemos a razão
das perguntas
que devemos fazer

Por vezes, só mais tarde
compreendemos a força
das coisas
que acontecem

acontecendo nelas

Por vezes,
demasiadas vezes,
não entendemos as respostas
porque não sabemos
as perguntas
que devemos fazer

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Hai ku

Vê lá, atina
Vê-la ladina
Vê-la latina
Vela tina
Vela latina