terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Hai ku

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sábado, 24 de janeiro de 2009

segredo de estado
segredo de-testado

Mesmo como excepção

mesmo como excepção
guantanamo
não era lá muito apresentável

domingo, 18 de janeiro de 2009

Como os bichos

Às vezes, vinha alguém bater à porta. Como a rádio deixara de emitir, só podia confiar no que diziam esses viandantes, à deriva, caminhando não sei para onde. Pouco a pouco, foram rareando essas visitas. Calara-se toda e qualquer voz, todo e qualquer vestígio humano. Só o miar paradoxalmente cioso dos gatos, me dava a certeza de que continuava a haver mais vida animal. Um dia, arrisquei sair, e tive a confirmação de que desenvolvera essa rara doença, que me fez resistir à catástrofe, como os bichos

Dia após dia

Às vezes, vinha alguém abrir a porta. Com o passar do tempo deixou de aparecer
aquela senhora gentil, que nos mandava entrar e pormo-nos à vontade, como em «nossa casa» (confirmaram-nos, depois, a suposição de que tinha morrido). Dia após dia, a porta continuava fechada, as paredes deixando cair o salitre. Cada vez mais, temíamos o que pudesse ter acontecido. A inspecção sanitária levara os últimos despojos, as últimas résteas dessa memória da casa. Francamente, nunca soubemos porque é mais ninguém ligou nenhuma à situação.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Hai ku

Ode
Louca

Ode louca
Odelouca

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Concerti Grossi

Ouvir, por exemplo,
os Concerti Grossi, de Haendel
na época da sua estreia
e calcorrear as ruas escalavradas
do século XVIII
a lama das ruas do século XVIII
a neve nas ruas do século XVIII
os pregões, as conversas das ruas do século XVIII
e os trilhos das carroças do século XVIII

e a lembrança de uma música redentora
dentro de nós
intemporal
soberna
glorificando Deus
acima dos homens
irmanados
e desprevenidos

domingo, 4 de janeiro de 2009

Diálogo

«Ele foi julgado por homicídio».

«Mas foi absolvido».

«E isso é suposto ser um consolo?».

sábado, 3 de janeiro de 2009

Ilha de Mocambique 2003 (02 de 02)

Ilha de Mocambique 2003 (01 de 02)

Da fragilidade e da morte

Esta trágica condição
de ser humano
tomada a consciência
da fragilidade e da morte
com o acto de nascer
e a experiência de viver

porque se o divino
domina o Tempo
o Tempo é, afinal, Deus,

mostrando-nos a contingência
e o ritmo das gerações
que se sucedem,
como as folhas das árvores

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Travessia do deserto

Atravessar o deserto
e nunca acabar

Nunca terminar
essa travessia

O longe é o refúgio
para não aparecer

A demora é a desculpa
para ficar sempre além

Não voltar à ribalta
e poder, somente,
percorrer o caminho
para me encontrar

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Hai ku

Na bruma
brama
o brâmane.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Passos da Cruz

VI.

Venho de longe e trago no perfil,
Em forma nevoenta e afastada,
O perfil de outro ser que desagrada
Ao meu actual recorte humano e vil.

Outrora fui talvez, não Boabdil,
Mas o seu mero último olhar, da estrada
Dado ao deixado vulto de Granada,
Recorte frio sob o unido anil...

[Fernando Pessoa]

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Evis Costello - «She»

Grandiosos
podem não ser só
os amores clandestinos
Mas é por serem
contrariados e reprimidos
que assumem a plenitude

domingo, 30 de novembro de 2008

Os Dias de sempre

Prolonguemos a noite
evitando o intempestivo atraso
dos dias amanhecidos
e claros, que revelam
as imperfeições do corpo e dos sentidos

e desviemos o sortilégio amargo
de viver por nós
e de viver pelos outros

queiramos o quotidiano
simples e imediato
dos irresolutos avatares

domingo, 23 de novembro de 2008

"Quadras da minha solidão"

Fica longe o sol que vi,
aquecer meu corpo outrora...
Como é breve o sol daqui!
E como é longa esta hora...

Donde estou vejo partir
quem parte certo e feliz.
Só eu fico. E sonho ir,
rumo ao sol do meu país...

Por isso as asas dormentes,
suspiram por outro céu.
Mas ai delas! tão doentes,
não podem voar mais eu...

que comigo, preso a mim,
tudo quanto sei de cor...
Chamem-lhe nomes sem fim,
por todos responde a dor.

Mas dor de quê? dor de quem,
se nada tenho a sofrer?...
Saudade?...Amor?...Sei lá bem!
É qualquer coisa a morrer...

E assim, no pulso dos dias,
sinto chegar outro Outono...
passam as horas esguias,
levando o meu abandono...

[Alda Lara]

sábado, 22 de novembro de 2008

Azagaia - «As Mentiras da Verdade»

Azagaia, o rapper moçambicano "maldito" actuou no fecho da campanha eleitoral de Deviz Simango, o candidato independente ao Município da Beira.
Contra os partidos predominantes, ganhou as eleições locais na 2.ª cidade do País; pode bem ser o um exemplo do que poderá vir a ser o futuro do sistema político em Moçambique, em que os eleitores já não se revêem em fórmulas gastas de propostas político-partidárias.
Um candidato com claro apoio na população, boicotado pelo governo central, insinuado de corrupto, feitiçeiro, criminoso, Simango já é chamado de «Obama do Chiveve».
Parabéns, Simango e Força para arrostar com uma bem pesada tarefa na luta por um Moçambique melhor e mais justo.

Hai ku

Órgãos digestão

Órgãos de gestão

terça-feira, 11 de novembro de 2008